A Julieta de Romeu tinha treze anos. Alvares de Azevedo morreu antes de completar vinte e um. Jane Austen é considerada pela maioria das bookaholics atuais uma das mais brilhantes escritoras de todos os tempos. O livro favorito de Edward e Bella é O Morro dos Ventos Uivantes. E você ainda diz que clássicos não têm nada haver com você?

Esta semana estou mais ainda Soy loca por ti América que nunca, irei passar uns dias em Montevidéu e toda essa hispanidade me fez lembrar de um clássico da literatura moderna da América Latina, o maravilhoso Como água para Chocolate. A obra faz parte de um momento da literatura latino-americana que chamamos de Boom Literário, justamente porque no final dos anos 70 vários escritores latinos conseguiram escrever obras originais, sem se inspirar em nada europeu, mostrando a essência do nosso continente. Tudo isso fez com que norte – americanos e europeus começassem a ler literatura latina, finalmente o caminho se inverteu.
Entre esses corajosos escritores está a mexicana Laura Esquivel com seu doce e caliente Como Água para Chocolate. A história se passa no México do final do século XIX, à beira da Revolução Mexicana, num distante rancho na parte de divisa com o Texas. Neste cenário vemos a história do amor sofrido e profundo entre Pedro e Tita.
Estas duas personagens ficam impedidas de concretizar o casamento por um preconceito infundado: Tita é a filha mais nova de três e não pode casar, porque na família manda a tradição que a filha mais nova se mantenha solteira e cuide da mãe até a hora da morte. A mãe oferece então a mão de Rosaura, a filha mais velha, a Pedro que acaba por se casar com ela para ficar perto do seu amor: Tita. Durante o seu infortúnio, a protagonista conta como espírito da criada índia Nacha, que lhe vai soprando aos ouvidos receitas e conselhos na vida e na morte.
Laura Esquivel pinta esse livro com as cores desse México longínquo e impregnado de cheiros e sabores. Tita constrói e solidifica a sua relação com Pedro através de receitas típicas, rústicas e, às vezes, requintadas. As receitas, uma para cada mês, e os sentimentos com que as faz são a sua maneira de se rebelar e de comunicar os seus sentimentos ao seu amor.
A tradução para o português é não deve em nada ao original, pra quem sabe um pouco de espanhol ou gosta de desafios recomendo o original. As receitas de Tita, em sua maioria, fazem parte da cultura mexicana e várias são acessíveis para os mestres-cucas de plantão. Para quem está com a pilha de livros muito grande, há também a adaptação para o cinema do livro, que é excelente, o roteiro é muito próximo a obra. Enfim, um bom livro, cheio de sabores e com uma história que prova que o amor pode resistir a tudo, inclusive ao tempo.
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