Literatura juvenil é coisa nova que surgiu com Harry Potter e Crepúsculo, não? NÃO! Livros voltados ao público adolescente são muito mais antigos do que você imagina. A primeira vez que a expressão “young-adult fiction” foi usada foi em 1802 por Sarah Trimmer, escritora e crítica literária. A YALSA, divisão da American Library Association responsável pelo gênero foi fundada em 1957.
No início, o Universo foi criado. Isso irritou profundamente muitas pessoas e, no geral, foi encarado como uma péssima idéia.

Se existe uma obra que mereça estar nessa coluna por ter realmente
atravessado os séculos, esta é, sem sombra de dúvidas, a série de
O Guia do Mochileiro das Galáxias, escrita pelo inglês bem-humorado
Douglas Adams. Concebida para ser uma trilogia, acabou sendo envolvida em uma controvérsia quanto a sua duração, sendo referida pelo autor como “
a trilogia de quatro livros”, que, por mero acaso, são cinco, e às vezes até seis.
Certo, a obra não atravessou os séculos, mas atravessou um século em especial, o
vigésimo da humanidade depois do suposto nascimento de nosso amigo Jesus Cristo. Começou no final dos anos setenta como um
programa de rádio, depois sendo adaptado para o que seria uma trilogia. Entretanto, Adams percebeu que não era possível contar toda essa história em apenas três partes, convertendo sua obra na primeira e única trilogia de quatro livros. Anos depois de terminar o quarto volume, Douglas voltou ao assunto, escrevendo
Praticamente Inofensiva. Recentemente,
Eoin Colfer, autor de
Artemis Fowl, com a permissão dos herdeiros de Adams, lançou
Só Mais Uma Coisa, a sexta e, por hora, última parte da série.
Controvérsias à parte, sigamos para o que interessa: a série em si. Ela narra as aventuras de
Arthur Dent, um inglês que, ao tentar evitar a
destruição de sua casa, descobre que
seu melhor amigo, Ford Prefect, é um extra-terrestre, um dos escritores d
a obra mais famosa de toda a Galáxia, obviamente, O Guia do Mochileiro das Galáxias, que funciona como um guia para viajantes interespaciais, e que ele foi enviado à Terra para formular um artigo sobre ela.
Ford revela a seu amigo que, ironicamente,
o planeta Terra está prestes a ser destruído pelos Vogons (uma raça alienígena), para dar espaço a uma via hiperespacial intergaláctica. Os dois amigos
pegam carona escondidos em uma das naves Vogons, e acabam sendo
jogados à deriva no espaço e assistindo à
destruição do planeta.
Por sorte, são resgatados pela nave
Coração de Ouro, que é comandada por
Zaphod Beeblebrox, o
presidente da Galáxia, um homem de
duas cabeças e
quatro braços, extremamente excêntrico e até meio louco, que se
autosequestrou. Na nave, Arthur reencontra
Tricia MacMillan, uma garota que ele conhecera seis meses atrás em uma festa e que fugira com Zaphod, e conhece
Marvin, o Andróide Paranóide (personagem que inspirou a música do
Radiohead), um robô que vive em eterna depressão devido ao tamanho de sua inteligência.
Os cinco procuram a
resposta fundamental da Vida, do Universo e Tudo Mais, e, como quem procura encontra, eles a descobrem:
42. Sim,
a resposta para a vida, o universo e tudo mais é quarenta e dois. A partir daí, eles partem, guiados, com o perdão da redundância, pelo
Guia, em uma louca jornada em busca da
PERGUNTA Fundamental da Vida, do Universo e Tudo Mais. É essa busca pela pergunta que os leva aos lugares mais estranhos da Galáxia, os faz conhecer as criaturas mais bizarras que já viveram e viver situações extremamente improváveis.
Clique para ver um vídeo maravilhosamente incrível sobre issoO primeiro volume se chama
O Guia do Mochileiro das Galáxias e é seguido por
O Restaurante no Fim do Universo (2º),
A Vida, O Universo e Tudo Mais (3º),
Até Mais, e Obrigado Pelos Peixes (4º),
Praticamente Inofensiva (5º) e
Só Mais Uma Coisa (6º).
Agora, para a parte técnica. Essa série é uma viagem. Uma loucura. É extremamente boa,
um livro para pessoas que têm um neurônio a mais. Não é qualquer um que é capaz de entender as piadas ácidas, típicas do humor inglês, as ironias, os sarcasmos e as críticas à sociedade moderna.
É infanto-juvenil porque
é tão louco que ninguém acredita, mas é para todas as idades porque se você realmente prestar atenção, vai ver que
tudo é tão real que o que está ali descrito está acontecendo exatamente igual nesse momento em alguma parte do mundo.
Sinistro.
Para os preguiçosos de plantão, a versão cinematográfica, dirigida por
Garth Jennings, foi lançada em
2005 e é
absurdamente fenomenal. Um dos pouquíssimos
filmes que conseguiram alcançar a
genialidade dos livros nos quais foram baseados. A história é contada de
forma diferente, algumas coisas são esquecidas, mas é uma adaptação, uma nova versão.
Vale a pena ler o livro e ver o filme, nessa ordem.
Tudo o que você precisará quando o Universo acabar é de uma toalha.