terça-feira, 23 de agosto de 2011

YA Através dos Séculos #2 - A Torre Negra

Literatura juvenil é coisa nova que surgiu com Harry Potter e Crepúsculo, não? NÃO! Livros voltados ao público adolescente são muito mais antigos do que você imagina. A primeira vez que a expressão “young-adult fiction” foi usada foi em 1802 por Sarah Trimmer, escritora e crítica literária. A YALSA, divisão da American Library Association responsável pelo gênero foi fundada em 1957.

O homem de preto fugia pelo deserto e o pistoleiro ia atrás.

A Torre Negra não é apenas um livro infanto-juvenil, nem apenas mais uma série. A Torre Negra foi concebida para ser a magnum opus do famoso escritor estadunidense Stephen King. King é mundialmente conhecido por seus livros de terror e suas célebres adaptações cinematográficas, e é impossível falar dele ou de qualquer obra sua sem citar Carrie, a Estranha, O Iluminado, A Hora do Vampiro, A Dança da Morte, A Zona Morta, Christine, O Cemitério, A Coisa, Angústia, Duma Key... A lista é longa.

Todo autor tem um outro autor que o inspirou a ingressar na carreira, isso é fato. Pode-se esperar que a inspiração de Stephen tenha sido outro mestre do terror/suspense, mas não. A obra decisiva na vida de King foi, pasmem, a trilogia de O Senhor dos Anéis, de J. R. R. Tolkien, que ele leu aos dezenove anos, e serviu de ponto inicial para sua vontade de escrever.



E a série da Torre é o grande tributo de Stephen a Tolkien, a primeira em que essa influência é vista claramente e na qual podemos perceber o jovem Stephen King refletido. É uma grande homenagem à trilogia e ao poema de Robert Browning, Childe Roland à Torre Negra Chegou.

Trata-se de uma série de sete livros narrando a história de Roland Deschain, o último pistoleiro do clã de Gilead, que segue pelo deserto do Mundo Médio (clara referência a Tolkien) seguindo o misterioso Homem de Preto, à procura da Torre Negra, eixo do qual depende todo o tempo e todo o espaço. Lá, o Pistoleiro acredita, será possível evitar a destruição do mundo. Ao longo de seu caminho, Roland encontra diversas pessoas, criaturas, mistérios e segredos, e protagoniza muitas batalhas e situações extremas.

King dedicou 33 anos de sua carreira a criação dos sete volumes, que ele considera serem apenas partes de um único livro, “o mais longo romance popular de todos os tempos”, segundo ele. Tinha tudo para ser um épico, mais um “clássico moderno”. Entretanto, é uma das obras menos conhecidas, menos lidas e menos apreciadas de Stephen. É um cult, quase.

As razões são simples. O Stephen King que começou a escrever a série era um jovem, vivendo numa época diferente, uma situação diferente, com pessoas diferentes, lendo livros diferentes do Stephen King que a terminou, trinta e três anos depois. Obviamente, isso será visível não apenas na forma de escrita dos livros, bem como na temática em si.

Os primeiros dois livros se arrastam de forma tediosa, e são muito descritivos, características das obras inicias de King, vide Carrie, a Estranha e A Hora do Vampiro. O terceiro já é um grande salto nesse sentido, sendo sua leitura muito mais fácil. Os últimos quatro, cada vez mais se aproximam do estilo novo de Stephen, com mais ação, que flui mais suavemente, tornando a leitura mais prazerosa e até mais rápida.

A outra razão é o público pouco definido. É um tema que não é simples, não pode ser entendido por qualquer criança ou mesmo qualquer jovem, mas não é complexo ou bem-estruturado o suficiente para ser considerado uma leitura adulta. Os palavrões e as cenas que falam abertamente de sexo e de violência pesada também contribuem para que sua classificação permaneça um mistério.

A meu ver, seria indicado para jovens de treze a vinte e um anos, durante a chamada adolescência, época à qual a obra pode ter mais apelo. Obviamente, não é qualquer adolescente de treze anos que se dispõe a ler três livros considerados “chatos” e depois quatro mais legai só para descobrir se o tal Pistoleiro consegue ou não chegar à tão sonhada Torre.

Daqueles que se aventuraram a ingressar na série, não todos a terminaram, e dos que a terminaram, muitos saíram insatisfeitos. É aquela historia, “o cara só se da mal a série inteira, pra no final você pensar que ele finalmente se dar bem, mas não, ele só se dá pior ainda”.

Por essas razões, A Torre Negra não é um livro para todos. Porém, aqueles que compreendem sua profundidade e enxergam a beleza nele escondida, percebem que sua história, apesar de meio antiguinha e vivida numa realidade paralela já “manjada”, aplica-se muito bem ao mundo no qual vivemos.

Vale a pena embarcar nessa jornada de mais de cinco mil páginas ao lado de Roland e guiada por King, rumo à Torre Negra e todos os segredos que ela guarda.

7 comentários:

liliane disse...

Gosto muito de Stephen King desde que li O iluminado,ele é fantástico.

Abbs disse...

Nunca li nada dele.. *shame on me* mas já ouvi muita gente elogiar, especialmente essa série! Adorei o post! Mais coisa pra minha listinha de "quero muito ler esse livro urgentemente" Hahahaha.

Lari disse...

Claro que já ouvi muito falar no Stephen King, e confesso com vergonha, que apesar de já ter assistido filmes baseados em livros dele, nunca li nada dele, mas pretendo recuperar o tempo perdido e ler sim, só não sei se vai ser essa serie, porque é longa, e como foi citado, os primeiros são demasiadamente cansativos. Não tenho certeza se irei ler, mas está valendo a dica.

Camila Leite disse...

"Por essas razões, A Torre Negra não é um livro para todos. Porém, aqueles que compreendem sua profundidade e enxergam a beleza nele escondida." - Uau, que profundo.
Gostei muito do que você escreveu.
E Stephen é mestre não é! =D
Beijos, Mila ?

@Camilla_Leitte
http://sonhosentrepontinhos.wordpress.com

Isa Pina disse...

Eu nunca tive vontade de ler essa série *shame on me* porque achava que seria meio chata e, como você mesma disse, não ouvimos muito falar dela. Não sei se agora quero, talvez eu venha a ler, já que na minha biblioteca deve ter, provavelmente, a coleção inteira.
E o tal final, eu já estou começando a acostumar da mania desse autor de finais "não felizes". O único livro que li dele, O Concorrente, acabou bem assim... rs
Mas adorei a coluna xD
Beijos,
Isa Pina ~ portal dos livros

Jéssica Campos disse...

Olha, achei muito legal você indicar o SK no seu post, mas só uma coisa (não fique brava comigo por favor), os livros do SK não são YA, esse livro é de suspense e fantasia. Ele teve a idéia de ecsrever essa série depois que leu O Senhor dos Anéis. Desculpa mas SK não foi e nunca será um escritor infanto-juvenil, tanto que eu qualquer livraria ele se encontra em literatura internacional e não no Infantil.

Bjsss

Carol Kley disse...

Olha, eu não to braba, mas tu tá distorcendo minhas palavras. Eu disse que ele teve VONTADE de escrever no geral depois de ler LOTR, e sim, isso é verdade, ele próprio escreveu na Introdução de O Pistoleiro. Eu também não disse que os livros dele são YA, eu disse que A SÉRIE tem público pouco definido e que AO MEU VER seria indicado para adolescentes. Passar bem.

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