terça-feira, 11 de outubro de 2011

Clássico nas entrelinhas #6 - Senhora

A Julieta de Romeu tinha treze anos. Alvares de Azevedo morreu antes de completar vinte e um. Jane Austen é considerada pela maioria das bookaholics atuais uma das mais brilhantes escritoras de todos os tempos. O livro favorito de Edward e Bella é O Morro dos Ventos Uivantes. E você ainda diz que clássicos não têm nada haver com você?



Acredito que todos já leram obrigados esta obra no colégio. Eu li e gostei. Estava no segundo ano e fiquei boquiaberta com a personagem central e sua postura no livro. O Romantismo é sem dúvida meu período literário favorito, me delicio quando tenho que dar aula sobre ele para meus alunos, se não fosse por ele não teríamos música para jovem, livros para jovens, roupas para jovens... O movimento romântico deixou esta maravilha para a gente de herança: a cultura para jovens.

Voltando a história de Senhora, fazendo um resumão para quem não conhece Aurélia Camargo, filha de uma pobre costureira, apaixonou-se por Fernando Seixas, a quem namorou. Este, porém, desfez a relação, movido pela vontade se casar com uma moça rica, Adelaide Amaral.

Passado algum tempo, Aurélia, já órfã, recebe uma grande herança do avô e ascende na escala social. Ainda ressentida com o antigo namorado, resolve vingar-se dele. Sabendo que Fernando, ainda solteiro, andava em dificuldades financeiras, resolve comprá-lo para marido. Na época, o Segundo Reinado, vigora o regime de casamento dotal, em que o pai da noiva (ou, no caso, ela mesma) deveria dar um dote ao futuro marido.

Assim, através de um procurador, Fernando recebe uma proposta de casamento e a aceita sem saber exatamente com quem se casará - interessa-lhe apenas o dinheiro, cem contos de réis, que vai receber por isso. Ao descobrir que sua noiva é Aurélia, Fernando se sente um felizardo, pois, na verdade, nunca deixara de amá-la. E abre seu coração para ela.

A jovem, porém, na noite de núpcias, deixa claro: "comprou-o" para representar o papel de marido que uma mulher na sua posição social deve ter. Dormirão em quartos separados. Aurélia não só não pretende entregar-se a ele, como aproveita as oportunidades que o cotidiano lhe oferece para criticá-lo com ironia. Durante meses, uma relação conjugal marcada pelas ofensas e o sarcasmo se desenvolve entre os dois.

Fernando, todavia, trabalha e realiza um negócio que lhe permite levantar o dinheiro que devia a Aurélia. Desse modo, propõe-se a restituir-lhe a quantia em troca da separação. E então a história tem sua última reviravolta, manterei o suspense para quem não leu não receber o final de mão beijada. Aurélia , para mim, é sem dúvidas uma das melhores personagens femininas da literatura brasileira. José de Alencar foi fenomenal ao deixá-la se vingar de Seixas, quem nunca teve esta vontade de “ferrar” com a vida de um ex affair interesseiro e leviano?

A obra por ser antiga tem uma linguagem um tanto complicada, mas existem as adaptações (como a hilária “Senhora, a bruxa” da Ed. Lua de Papel) e até mesmo novelas baseadas na história. Enfim, uma obra brasileira das leituras obrigatórias do colégio que vale a pena ser lida.

4 comentários:

Lari disse...

Li na escola, gostei em partes. A primeira por ser uma história bem incomum para a época e traz juntamente uma personagem feminina forte, o que era difícil na era do romântismo. Os meus pontos contra, é justamente por ser do romântismo, época em que a escrita era muito rebuscada, e os amores descritos com exagero. Sem falar, é claro, que muitos sucumbiram a doenças e de sofrer por alguns amores impossíveis.
Estudando na escola descobri que sou mesmo fã do realismo/naturalismo pois acho que eles apresentam melhor a figura humana.

Hangover at 16 disse...

Eu sinceramente nunca tive que ler, já que meu colégio não é dos melhores e quase não pede pra ler livros, tsc. Mas eu também nunca fui fã de ler esse tipo de livro (e quem é, além de obrigado?)
Mas é bom saber que vale a pena! Quem sabe até convença um pouco

xx carol

Abbs disse...

Eu amo esse livro!!! Foi o que eu mais gostei na escola, na verdade, amo romantismo! Meu poeta preferido é sem dúvida nenhum Alvares de Azevedo! (só aí já dá pra ter uma ideia...) Adoro essa história! <3

Jéssica Campos disse...

Senhora eu ainda não li, mas gosto muito do José de Alencar. No momento eu to um pouco sem tempo para ler muito dos livros que eu coloquei já a um tempo na lista de vou ler porque os lançamentos comem lugar na fila ahauhauah, mas assim que der quero ler.


Bjsss
www.frozenlivros.blogspot.com

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