segunda-feira, 21 de novembro de 2011

Clássicos nas entrelinhas #8 - O tempo e o vento

A Julieta de Romeu tinha treze anos. Alvares de Azevedo morreu antes de completar vinte e um. Jane Austen é considerada pela maioria das bookaholics atuais uma das mais brilhantes escritoras de todos os tempos. O livro favorito de Edward e Bella é O Morro dos Ventos Uivantes. E você ainda diz que clássicos não têm nada haver com você?

 

Tenho uma verdadeira paixão por Érico Veríssimo, tudo começou quando era pequena e li As aventuras de Tibicuera, um indiozinho com poderes mágicos que vê toda a história do Rio Grande do Sul.  Incentivada pelo meu pai, aos 15 iniciei a leitura da saga O tempo e o vento, obra prima do escritor.

A saga conta a história do Rio Grande do Sul através da família Terra-Cambará desde o século XVIII até final da década de 40, dividida em três partes (O Continente, O retrato e O arquipélago) é uma maratona literária que deve ser percorrida por aqueles que não temem livros grossos, afinal, na maioria das edições, para ler a história completa é necessário se aventurar por sete longos volumes. Para que vocês tenham idéia do que se passa em cada parte, resolvi fazer um resuminho de cada uma. Vamos lá!

O Continente: A narrativa do cerco ao Sobrado, no fim do século 19, espalha-se na forma de pílulas, intercalada por histórias que, sozinhas, já seriam dignas de livros à parte - como, aliás, aconteceu com os capítulos “Ana Terra” e “Um Certo Capitão Rodrigo”. Estas partes contam o inicio da família Terra, representada por Ana Terra e seu amor pelo índio missioneiro Pedro, e a união com a família Cambará, através do casamento de Bibiana Terra (neta de Ana) e Capitão Rodrigo.

Praticamente todos os personagens mais importantes da trilogia são apresentados já em “O Continente”. Desde Licurgo e Maria Valéria, presentes no cerco ao Sobrado, a Ana e Bibiana Terra, o capitão Rodrigo e Luzia Silva, além de Rodrigo Terra Cambará, filho de Licurgo e em torno de quem girarão “O Retrato” e “O Arquipélago”, apresentado ainda na infância.

O cerco ao Sobrado, a cidadela herdada pela família Terra Cambará como resultado da guerra surda entre a velha Bibiana e a nora Luzia, é o fio condutor entre o passado e o futuro. Quatro gerações de Terras e Cambarás estão ali presentes no desfecho da Revolução Federalista, em 1895, cercadas pelos maragatos (homens a favor da monarquia) – contra os quais Licurgo luta durante quase toda a vida e ao lado dos quais morre lutando, décadas mais tarde. Mantido a grande custo apesar do acirrado cerco, o casarão ganha ares de palco principal em “O Retrato” e “O Continente”.

O Retrato: De volta a Santa Fé depois de ter ido estudar medicina em Porto Alegre, o jovem e idealista Rodrigo Terra Cambará busca estabelecer-se em sua terra natal e depara-se com uma batalha já perdida de início contra seus próprios impulsos. Admirado com a vitalidade do amigo, o desacreditado artista anarquista Pepe García decide pintar um retrato de Rodrigo. O pintor dedica sangue, suor e alma à confecção do quadro. O resultado do trabalho do pintor, no qual ninguém botava muita fé, é uma obra-de-arte.

As grandes vítimas da genialidade do pintor são o próprio artista e seu modelo. A criatividade de Pepe García esgota-se no retrato, como se ao quadro ele tivesse dedicado todos os seus esforços e tornado-se estéril ao encerrá-lo. Já Rodrigo passa a definhar. A altivez com que é retratado por Pepe García jamais será a mesma novamente, numa espécie de “O Retrato de Dorian Gray” (obra de Oscar Wilde) às avessas.

Paralelamente à decadência pessoal de Rodrigo desfila a decadência social de Santa Fé na passagem do século 19 para o 20, projetada nas conseqüências do jogo de alianças políticas dos oligarcas locais com líderes gaúchos.

O Arquipélago: O autor apresenta aos leitores um alter-ego, o escritor Floriano Cambará, filho de Rodrigo e Flora, um intelectual em busca de inspiração para uma carreira literária sólida.

A história do Brasil na primeira metade do século 20 serve de pano de fundo para o salto da influência da família Terra Cambará do âmbito meramente local para uma escala nacional. Depois de muitos anos no Rio de Janeiro, ao lado do amigo e aliado Getúlio Vargas, Rodrigo retorna a Santa Fé após a queda do Estado Novo, derrotado politicamente. Com a vida por um fio por conta de uma série de problemas cardíacos, luta contra o imponderável para não se tornar no primeiro Cambará macho a morrer na cama.

O retorno de Rodrigo a Santa Fé acaba por reunir todo o clã Terra Cambará e força um acerto de contas familiar. No meio do caminho, Floriano vai juntando as peças para o romance definitivo que pretende escrever.

Érico Veríssimo tem um estilo literário próprio: contador de histórias. O tempo e o vento é tão bem escrito que é impossível parar de lê-lo, cheio de histórias  totalmente possíveis de terem acontecido com algum antepassado de nossas famílias, mostra um pouco da história do meu estado para todo o Brasil e o mundo!
segunda-feira, 14 de novembro de 2011

Top Quotes #16 - O céu está em todo lugar

“Você é um bruxo, Harry”. “Tudo o que você conhece está prestes a mudar”. “Eu não vou beijar o mundano!” – Um livro diferente por semana para relembrar os mais clássicos quotes da história literária!

O céu está em todo lugar


Essa semana, o livro escolhido é O céu está em todo lugar, escrito pela Jandy Nelson!



Atenção! Essa seção pode conter spoilers!

Se vocês quiserem sugerir algum livro, autor ou tema, é só escrever nos comentários.




"É como estamos desde que minha irmã Bailey faleceu, há um mês, de uma arritmia fatal, durante um ensaio para uma produção local da peça Romeu e Julieta. É como se alguém tivesse aspirado o horizonte enquanto estávamos olhando para o outro lado." (pág. 12)



segunda-feira, 7 de novembro de 2011

Top Quotes #15 - Anna e o beijo francês

“Você é um bruxo, Harry”. “Tudo o que você conhece está prestes a mudar”. “Eu não vou beijar o mundano!” – Um livro diferente por semana para relembrar os mais clássicos quotes da história literária!

Anna e o beijo francês


Essa semana, o livro escolhido é Anna e o beijo francês, escrito pela Stephanie Perkins!



Atenção! Essa seção pode conter spoilers!

Se vocês quiserem sugerir algum livro, autor ou tema, é só escrever nos comentários.




"Isso é tudo o que sei sobre a França: Madeline, Amélie e Moulin Rouge. A Torre Eiffel e o Arco do Triunfo também, embora eu não saiba a verdadeira função de nenhum dos dois. Napoleão, Maria Antonieta e vários reis chamados Louis. Também não estou certa do que eles fizeram, mas acho que tem alguma coisa a ver com a Revolução Francesa, que tem algo a ver com o Dia da Bastilha. O museu de arte chama-se Louvre, tem o formato de uma pirâmide, e a Mona Lisa vive lá junto com a estátua da mulher sem braços. E tem cafés e bistrôs - ou qualquer nome que eles dão a estes - em cada esquina. E mímicos. A comida é supostamente boa, as pessoas bebem muito vinho e fumam muitos cigarros." (pág. 7)



sábado, 5 de novembro de 2011

Julieta Imortal por Stacey Jay

Julieta Imortal, da autora Stacey Jay.



  • Editora: Novo Conceito

  • ISBN: 9788563219572

  • Ano: 2011

  • Páginas: 237

  • Classificação: 



Julieta Capuleto não tirou a própria vida. Ela foi assassinada pela pessoa em quem mais confiava, seu marido, Romeu Montecchio, que fez o sacrifício para assegurar sua imortalidade. Mas Romeu não imaginou que Julieta também teria vida eterna e se tornaria uma agente dos Embaixadores da Luz. Por setecentos anos, Julieta lutou para preservar o amor e as vidas de inocentes, enquanto Romeu tinha por fim destruir o coração humano. Mas agora que Julieta encontrou seu amor proibido, Romeu fará de tudo que estiver ao seu alcance para destruir a felicidade dela.




Ela lutará pela luz, e ele pela escuridão.
Lutando por séculos pela doce centelha do amor.
Sempre que duas almas se amarem de verdade,
vocês os encontrarão, a corajosa Julieta,
e Romeu, o desertor.


- Cântico italiano medieval, autor desconhecido.


Essa musiquinha aparece no verso do livro e, honestamente, resume muito bem a história de uma forma que eu achei genial. Julieta Imortal foi um livro que eu achei meio estranho e confuso inicialmente. Sabe quando você lê e pensa "Hein? Ok, por que eu estou lendo isso, mesmo?" No entanto, vale a pena continuar, a história avança muito bem e toda a loucura inicial é explicada e tudo se encaixa.


sexta-feira, 4 de novembro de 2011

Feira do Livro de Porto Alegre

Ontem eu fui na Feira do Livro aqui de Porto Alegre. Eu amo a feira! A cidade fica infinitamente mais bonita, vocês vão poder conferir um pouquinho pelas fotos. Mas tenho uma séria reclamação a fazer: neste ano os livros estavam muito caros! No ano passado eu comprei 16 livros, dessa vez foram apenas 6. E isso por que eu não me controlei, por que eles não estavam com um preço lá muito amigável... Até tentei garimpar os balaios de 5 e 10 reais, mas, honestamente, nada dali me interessou.


Feira do Livro de Porto Alegre 2011


terça-feira, 1 de novembro de 2011

Narrador: isso realmente importa?


Pergunta da semana: Você prefere livros em primeira ou terceira pessoa?


Eu costumava odiar livros em primeira pessoa, por que eu me apaixonei por literatura com Harry Potter, então achava muito esquisito ler em primeira pessoa, especialmente depois de O Diário da Princesa (que eu odiei) mas eu consegui superar esse vício, quero dizer, com tantos livros voltados ao público juvenil saindo com narrador personagem é difícil não se acostumar.


É como livros escritos com o tempo verbal no presente. Eu odiava, mas vi que quando são bem escritos podem ser excelentes! Como foi o caso de Jogos Vorazes, que mesmo sendo em tempo verbal presente e narrador em primeira pessoa - duas coisas que eu odiava - foi uma das mais brilhantes narrações que eu já vi.


Então, acho muito subjetivo dizer se prefiro de uma forma ou de outra. Gosto de livros bem escritos, que me envolvam. Se a protagonista é chatinha, talvez seja melhor ela não narrar, se é uma personagem forte e marcante, manda ver! Se vai escrever em tempo verbal presente, prepare-se para rechear a história de flashbacks e reflexões e também diálogos ágeis, do contrário, o livro vai ficar cansativo.


Mas essa, é claro, é a minha opinião. Vocês concordam?